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eu queria explorar aqui uma observação do colega Fernando sobre o papel do "herói" no mercado de TI

(...)Heróis sempre vão existir. É da natureza da atividade, não tem jeito. Mesmo que o planejamento mais cuidadoso seja feito, no fim você vai precisar de um herói com uma solução inteligente pra tentar salvar o projeto. As grandes empresas de tecnologia já aceitaram isso, e pra algumas delas a solução foi tentar contratar só heróis.(...)

O que vcs acham da figura do Herói? As empresas devem buscar os heróis? Devem incentivar os funcionários a serem ou tentar ser? Como é trabalhar com um herói? A galera tende a montar nele? Ele e um exemplo de liderança? Ele é um fenômeno cultural?

O que vcs acham?

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Respostas a este tópico

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já leram watchmen? curto o estilo do rorschach: http://en.wikipedia.org/wiki/Rorschach_(comics)

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o rorch é legal

é o herói faficheiro. Se existisse, ia viver no maleta ;-)

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Eu vejo 2 tipos de heróis principais

O herói líder, o cara que acha uma solução, mobiliza todo mundo e faz acontecer.
Mas tem também aquele cara que chega devagar, bate na porta, fala: "acho que sei como resolver"...

Ambos tem seu papel garantido nas organizações ... O primeiro geralmente é mais prático, mesmo que a solução não seja a mais elegante, ela funciona, cumpre o papel, e ele fica bem com a empresa. Em alguns casos, funciona, mas acho que muitas gambiarras e erros também surgem assim.
O segundo é quase invisível, geralmente tem as soluções mais geniais e as pessoas acabam sabendo disso. Este profissional precisa melhorar sua representatividade para ganhar o espaço que merece. O lado político e a capacidade de mobilização também são importantes...

Vida dura essa de herói, não Kenji?

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Olá Diego,

O que eu não consigo compreender é essa força do mercado e das empresas em querer mudar (ou cobrar tal mudança) o comportamento humano. Quando você fala sobre o herói tímido você diz que ele precisa melhorar sua representatividade. Daí eu pergunto, porque? Ele não faz muito bem no que lhe é exigido? Não cumpre seu papel melhor do que a maioria? Por que querem que ele seja outra pesssoa? Veja nestas perguntas uma questão mais antropológica do que sociológica. Eu acho que a lógica das empresas se inverteu em seus papéis exigindo isso: na minha opinião, o empregador, em sua função gerencial, deve enxergar nos seus funcionários a sua capacidade, sua evolução dentro da empresa, seu empenho e suas características. É ele quem deve oferecer aumento aos seus empregados; é ele quem deve criar espaços para estes heróis participarem. Digo isso porque um gerente/diretor/presidente consegue ter uma visão e, de certa forma, poder para executar os seus interesses, coisa que o mero funcionário não tem. Não faz parte do perfil de um programador, de um office boy, de um engenheiro técnico ser pró-ativo e líder, caso contrário ele não estaria nessa função e sim de um gerente/diretor. E muitas vezes ele nem quer buscar isso: a vida de programador é boa demais para mudar.

Portanto, eu faço uma profunda crítica às empresas que tem essa visão (desconheço alguma que não faça parte). É por isso que temos políticos safados, gerentes incopetentes, diretores esdrúxulos. Eles aprenderam que "falar bem", "ser líder", "passar por cima de todos" são a melhor maneira de se dar bem na vida. É isso que essa visão "do mercado" prega. É por isso que eu nunca vi os melhores alunos e mais competentes tentarem entrar para a política: normalmente eles não sabem e não querem falar em público, não sabem ou não querem dizer abobrinhas que as pessoas querem escutar (porque a verdade dói e perde votos) e não sabem ou não querem ser surpreendidos com tanta burrice a sua volta.
Percebo isso nesta eleição a prefeito de BH: não o conheço bastante para dizer se ele pode ser do tipo herói tímido, nem sei se votarei nele, mas já deu para perceber que o Márcio não gosta de falar em público e as pessoas o criticam por isso. "O cara nunca falou na televisão e quer ser prefeito". Então coloquem o Faustão para prefeito.

É isso.

ps: não quero acalentar uma discussão política e sim mostrar com exemplos meus argumentos supra citados.

Abraços,
Global

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Olá Anderson, interessantíssima sua opinião.
Concordo com o que você disse, em parte. As empresas precisam dos heróis discretos sim, invariavelmente.
Sobre a mudança comportamental não acho que sejam exigidas, ninguém obriga ninguém a ter pretensões a cargos de gestão. Estas qualidades, cabe a pessoa escolher se quer desenvolver ou não, de acordo com suas pretensões profissionais. É escolha. O cara pode querer ser o maior especialista em um procedimento X da linguagem Y sem ter grandes habilidades sociais. Depende exatamente da pessoa e de como ela se vê no futuro.

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Mas aí é que está a questão. No mercado, principalmente brasileiro, o cara especialista em X ou em Y que não tem grandes habilidades sociais (e não quer ter) dificilmente ficará rico, por melhor que ele seja. Em contrapartida, os meia-boca metidos a gerente/diretores sempre se saem melhor financeiramente.

A questão de escolha para mim deveria ser algo mais justa. Ex: eu não quero ser gerente/diretor, mas quero ser foda em X E ganhar o mesmo tanto ou mais do que esse gerente/diretor. Na minha opinião, a relação de escolhas não podem influenciar o salário e a medida disso poderia ser o grau de importância para a empresa que o funcionário tem, independente do cargo. Isso não é o que acontece. Aquele herói que mantém sozinho aquele produto que gera 100k para a empresa por mês é muito mais importante que a maioria dos gerentes de outros produtos. Esse cara deveria ganhar 10, 20 ou 30k por mês por isso e não ficar com salários de 3, 4 ou 5k. A frase que eu mais escuto é isso: "vira gerente que você vai ganhar mais". Pq? Não posso ganhar mais como programador?

Escutei uma vez de um amigo: "programador é bicho burro... você não pode pagar altos salários a ele pq não saberá o que fazer com isso; pode ficar vislumbrado e fo*** a empresa... pague pouco e mantenha-o na empresa! Quando reclamar, aumente um pouquinho!"

De certa forma essa é uma opinião compartilhada por vários diretores de TI. Ai que vida...

Abraços,
Global

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não tô achando o post do blog do Yuri sobre as carreiras em Y

acho que ia acrescentar.

preciso aprender a usar o google direito ;-)

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Não lembro de um post específico sobre carreira em Y... se vc lembrar mais do contexto, me fala que eu acho.

Abraço,

-- Yuri

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Talvez com exceção do mercado de SP, que é o maior e o do interior de SP que é o segundo maior do Brasil, os técnicos são desvalorizados na maior parte do Brasil. Saber fazer não vale nada por aqui, e talvez por isso o nível técnico das empresas está cada vez pior. Os caras fodas que não querem ficar babando ovo de cliente pra subir na carreira são obrigados a buscar a América do Norte, Austrália e Europa.

Os heróis estão cada vez mais ficando cientes disso, e estão vendo que é melhor passar mais tempo com a família que ganhar uns tapinhas nas costas como bônus. Só quando os heróis sumirem do mapa, as empresas vão se ver forçadas a repensar a perna capenga da carreira em Y.

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Fala Global,

Em São Paulo, conheço diversas empresas em que sysadms ou desenvolvedores ganham de R$ 12 mil a R$ 15 mil sem precisar saber nada de gestão de equipes. Na Vetta, chegamos a ter profissionais que ganhavam mais que os sócios da empresa.

Normalmente, são profissionais muito acima da média e nem todos têm habilidade social ou sabem trabalhar em equipe - mas a empresa não pode se dar ao luxo de perdê-los, tamanha é a importância deles na estratégia do negócio. Nos EUA, isso é muito comum. No Google, é sempre assim - com a diferença que todos precisam ser excelentes também na habilidade social.

Isso quase sempre aparece em empresas grandes ou muito grandes, onde a gestão é um pouco mais madura e a carreira em Y é realmente aplicada. Mas eu gosto de chamá-los de "Campeões" e não de Heróis ;)

Abraço,

-- Yuri

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Gostei da nomenclatura, Yuri!
E concordo que as empresas tem que saber valorizar os heróis e os campeões, cada um a sua maneira, mensurada sua importância estratégica no negócio.

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