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Yuri Gitahy

Você é/foi aluno do ensino particular de TI? Conte sua história.

Claro que não podemos generalizar, mas cada vez mais pessoas comentam mais problemas gerados pela massificação do ensino particular no mercado de Tecnologia da Informação.


Já escrevi a respeito disso nos blogs do mundo.IT e Incubadora de Idéias, tentando explicar como enxergo esta polêmica que funciona mais ou menos assim:

1. Os ensinos fundamental e médio nem sempre são eficientes, e não criam uma boa base de conhecimento nos alunos brasileiros
2. A proliferação das escolas particulares deu a muitos a chance antes inatingível do ensino superior, mas os vestibulares são menos exigentes e permitem que pessoas sem base cheguem até a faculdade
3. Com a retirada na barreira de entrada, os cursinhos pré-vestibular foram perdendo alunos. Com isso, diminuiu a última oportunidade dos alunos de aprenderem o mínimo da matéria que a base não cobriu.
4. No ensino superior, os professores reduzem a qualidade do ensino e cobram menos dos alunos, dados que eles não têm base para aprenderem a matéria necessária. Se eles não fazem isso, os alunos reclamam com o coordenador do curso, que sutilmente relembra o professor que a faculdade precisa lutar contra o êxodo (leia-se mantendo sua lucratividade com as turmas o mais cheias possível)
5. O recém-graduado que sobreviveu a essa provação chega ao mercado de trabalho com uma formação menor que a esperada, e uma expectativa maior que sua capacidade.

Por que estou falando disso logo hoje? Porque muitos dos meus contatos no Google Reader compartilharam uma mesma matéria da ComputerWorld, mas acho que ela só trata da metade do problema.

Decidi fazer uma coisa então: pedir a você leitor, que está cursando ou cursou uma faculdade particular de TI, que aproveite esse espaço e conte a sua opinião pessoal sobre o problema... Quem sabe estamos deixando de ver algum lado nessa história?

Tags: educacao, ensino, faculdade, formacao, particular, tecnologia

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Marcos Antonio G.Barcellos Comentário por Marcos Antonio G.Barcellos em 19 janeiro 2010 às 20:38
Acho que a postura do aluno também conta muito. Também tive alguns colegas no ensino particular de TI em Belo Horizonte que disseram ao cordenador do curso que trabalhavam o dia todo e não tinham tempo para estudar e nem fazer trabalhos academicos fora do horário da faculdade. Em qualquer tipo de ensino, seja público ou particular, uma postura academica limitada forma um profissional limitado. O que esse "profissional" vai dizer no futuro ao seu gerente de projetos? - Olha, isso eu não aprendi na faculdade, logo, você não pode exigir que eu saiba... lastimável.
Em outra abordagem, também existem os profissionais que já atuam no mercado de trabalho, mas não possuem graduação. Muitos desses profissionais, terminaram o ensino médio há muitos anos, 8, 10, 15 anos ou mais. Em um vestibular "difícil" e concorrido como o das universidades federais por exemplo, creio que a maioria não teria a menor chance, pois já abandonaram os estudos há muito tempo e estariam concorrendo com alunos que acabaram de concluir o ensino médio e com o adicional dos cursinhos. No entanto, após ingressar em um curso de graduação, o aproveitamento desses alunos tendem a ser melhores do que os demais, visto que possuem prática em suas áreas e muitas vezes lhes faltam base teórica e acadêmica para que possam aliar suas experiências com a abrangência do estudo e da pesquisa acadêmica que a faculdade proporciona.
Fernando Henrique Constant Alves Comentário por Fernando Henrique Constant Alves em 6 outubro 2009 às 23:49
Bom. na verdade eu sou aluno rs. Sou aluno do curso Tecnico de Ti. Do senac Guarulhos.
Sim estou de entrão rs. Mas quer saber. Quero e vou trabalhar na area.
Bom estudo pra isso. Não só pelo quesito dinheiro, mas por ter me apaixonad pela area.
Termino em 2010 no fim do primeiro semestre. e espero poder contar minha historia completa.
Claudia Tocantins Comentário por Claudia Tocantins em 12 setembro 2009 às 13:29
Complementando: nem todos os alunos vão mesmo para as melhores universidades. Nem todos os cursos serão nivel A ou 7 ou qualquer que seja o modelo de avaliação. Nem todos os alunos querem ser cientistas ou doutores. Mas clarificar essas diferenças é fundamental para que cada um tome suas decisões de modo informado.
Claudia Tocantins Comentário por Claudia Tocantins em 12 setembro 2009 às 13:27
Tem mais um ponto de vista sobre o qual li há um tempinho atrás (se não me engano texto de um professor de unifersidade federal): há anos atras só a elite era tinha acesso à educação. Em um determinado momento universalizou-se o acesso ao ensino fundamental e médio, o preço foi reduzir a qualidade (até hoje tem escolas em 3 turnos, é possivel ensinar algo a crianãs de 8 anos que só vão a escola de 11 as 14hs?). Recentemente, universalizou-se o ensino universitário. Novamente o preço é a qualidade. Mais do que isso, mesmo as instituiões de ponta que tinha 40 vagas, hoje são incentivadas a terem 240 e muitas vezes com EAD. O artigo falava que o errado era querer que todos se formem nos mesmos cursos tradicionais. Se uma babá quer ter curso superior, ela não precisaria mudar de profissão e se tornar uma enfermeira medíocre se houvesse um curso para ela.
Leonardo Teixeira Passos Comentário por Leonardo Teixeira Passos em 12 setembro 2009 às 11:24
Yuri,

professor pescador....... essa foi triste :(

Bem, ainda quanto às federais, tenho mais um ponto: um aluno de universidade federal custa muito mais caro ao governo do que um aluno do ensino fundamental. Sei que o governo federal repassa a verba da educação, cabendo às esferas municipal e estadual aplicar os recursos recebidos (embora isto nem sempre aconteça). Para se ter uma idéia, um aluno da UNIFESP custa ao governo algo em torno de 92.000 reais/ano.... Imagine quantos alunos de uma rede municipal não poderiam ser atendidos com esse montante de dinheiro. O governo foi para uma direção errada: os gastos do MEC deveriam se concentrar no ensino fundamental, e em relação ao ensino superior, deveria ser mantido o que já existia, não ampliado (ou pelo menos não tão ampliado como feito). Ao meu ver, em questão de uma década aconteceria o seguinte: a concorrência aumentaria ferozmente nos vestibulares das federais; com mais alunos de um ensino fundamental de qualidade, maior seria o grau de instrução dos ingressantes e portanto, maior a qualificação dos egressos, Um dos grandes problemas do nosso país é que criou-se a cultura de que todos tem que ter diploma, e isto está ligado a uma idéia de ascensão financeira, o que infelizmente ainda é verdade. No entanto, qual o preço que a sociedade paga por essa falácia? Infelizmente, o governo acredita nessa idéia, fugindo pois, da raíz do problema.
Yuri Gitahy Comentário por Yuri Gitahy em 12 setembro 2009 às 11:10
A propósito, nem sei se eu comentei com alguém por aqui. Em uma das universidades particulares em que dei aula, o coordenador do curso ficou sabendo que eu me esforçava bastante para os alunos desinteressados se interessarem, e aprenderem a matéria de verdade. Sabe o que ele me disse? "Ha! Então você é mais um daqueles professores pescadores? Um dia você desiste, o aluno não quer nada..."

Professor pescador... :) Sou e assumo. O que me preocupou foi o sarcasmo, vindo de um cara que deveria ser o maior pescador de todos.
Yuri Gitahy Comentário por Yuri Gitahy em 12 setembro 2009 às 11:07
Oi Leo,

O governo sabe disso há décadas, mas o custo e prazo para renovar a base são muito altos. Se você frequentasse o ensino fundamental, ia ver que a qualidade decai em direção a ele. Além disso, o governo federal tem que dividir a responsabilidade com as esferas municipais e estaduais: uma parcela maior da arrecadação tributária precisa ser direcionada à Educação, mas o custo das máquinas estatais é alto e não dá pra aumentar demais a dívida interna.

Daqui a pouco, quem sabe, inventam uma CPMF só para a Educação. Aí passam 5 anos arrecadando, pra não investir onde deviam... Quer mudar pra Finlândia e ter seus filhos lá? :(
Leonardo Teixeira Passos Comentário por Leonardo Teixeira Passos em 12 setembro 2009 às 11:01
Caros,

o problema é ainda maior, não está restrito às universidades particulares. Em universidades federais a qualidade também caiu, pois a ampliação do ensino superior fez com que a concorrência nos vestibulares diminuisse. A diferença em relação às particulares, no entanto, é que o nível de evasão é maior, e a qualidade, em certa medida é garantida (ainda que a um alto custo). No entanto, o governo federal está disposto a inverter esse cenário de evasão com a implantação do REUNI. As federais e seus cursos que aderirem ao REUNI tem que atingir metas de formar mais de 90% em relação ao número de ingressantes. Isto me preocupa, pois a qualidade, assim como nas particulares, vai piorar. O governo ainda não percebe o óbvio: a mazela da educação brasileira está no ensino fundamental.
Claudia Tocantins Comentário por Claudia Tocantins em 25 agosto 2009 às 10:00
O que faz a diferença? O aluno... A sua postura...
Dei aula num curso de pós numa faculdade particular de boa reputação. Sabe o que um dos alunos falou ao coordenador do curso? Que deveriam ter sido avisados no ato da matricula que o curso exigiria tempo de estudo para leitura e projetos... Aham, quer dizer que é possivel diplomar-se numa especialização lato-sensu em qualquer área sem estudar, só indo as aulas?
Em tempo: estudei em universidade particular de primeira linha, num departamento de excelência acadêmica comprovada e histórica. Ou seja, não é pq é privado, que a excelência tem que ser comprometida com o objetivo mercantilista de ter mais alunos, não importa sua formação prévia.
Kelly Sganderla Comentário por Kelly Sganderla em 5 agosto 2009 às 18:57
Eu sou do RS, e fui aluna do ensino particular nos níveis fundamental, médio e superior (bacharel em Ciência da Computação), e no final da minha formação tive a oportunidade de estagiar na área de educação, em uma outra escola particular. De forma especial durante o nível superior, tive um grande contato com meus tutores porque a instituição era pequena, o que possibilitava um acesso melhor dos alunos aos professores inclusive fora da sala de aula. Como consequência, pude aproveitar bastante meu processo de aprendizado.
Ao comparar o que aprendi com o que aprenderam meus colegas de trabalho que saíram da UFRGS (a Univ. Federal do RS), em alguns momentos percebo sim algumas deficiências, mas não sei se a 'culpa' realmente tem a ver com o ensino privado ou público.
Vou acabar puxando a conversa para um outro lado, mas no final a conclusão é a mesma.

Conheço excelentes profissionais em diversas áreas (não apenas na TI) e garanto a vocês que o que fez a diferença está intimamente relacionado ao perfil de estudante destas pessoas. É fácil. No geral, quem levava os estudos a sério, se deu bem. Quem levava na boa, acabou não dando muito certo.

Acho que a reflexão que cabe, em todos os níveis educacionais, está relacionado à motivação do aluno. Não a motivação pelo canudo, ou por um 'futuro brilhante' (quem quer saber disso quando se tem 15 anos e tem que escolher uma carreira?). É uma outra coisa, muito mais básica.

A questão é que o ensino atual (independente de público ou privado) NÃO EDUCA. Por educar quero dizer formar as pessoas. Não temos mais disciplinas formadoras de caráter, como Educação Moral e Cívica (EMC), ou Organização Social e Política Brasileira (OSPB). Quem está na minha faixa (dos 30) deve lembrar dessas disciplinas. Elas davam a base da civilidade às pessoas, mas foram retiradas dos currículos porque os educadores da época achavam que eram resquícios da ditadura. E as disciplinas que em parte absorveram este conteúdo (História e Geografia) estão com a carga horária cada vez menor a cada revisão do programa de ensino nacional, para priorizar o português e a matemática. Resultado: o estudante não consegue entender seu papel na sociedade durante o processo educacional e nem compreende o que é esperado dele no futuro. Portanto, não entende por que precisa aprender o que está sendo ensinado. Quando chegam ao nível superior, encontram cursos cada vez mais enxutos e totalmente direcionados tecnicamente na carreira que escolheram. E a única motivação acaba sendo a simples ambição pessoal.

Me desculpem o desvio, mas adoro este tema de educação e acabo me emocionando :)

Enfim, uma mudança de verdade, e que beneficiaria toda a sociedade (e não apenas a TI) tem que mexer NAS BASES, mas não apenas na preparação dos conhecimentos técnicos. Tem que EDUCAR as pessoas para serem melhores cidadãos.

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