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Um dos segmentos mais promissores no mercado de TI hoje é o de soluções de BPM, principalmente via Web. É uma tecnologia que se casa particularmente bem com o paradigma da Web 2.0. Processos são colaborativos por natureza. Além disso, é comum que eles envolvam diversas pessoas, que podem estar em locais distantes e precisam interagir a qualquer momento. Já existem hoje diversas ferramentas que usam tecnologia Web, incluindo algumas "open source". É um mercado em franco desenvolvimento.

O impacto do BPM na produtividade das empresas é inegável. É o tipo de tecnologia que dá vantagem competitiva, porque a empresa responde melhor e mais rápido. Fica mais fácil rastrear erros e problemas no tratamento dos processos. Também fica mais fácil evitar atrasos e até bloqueios que poderiam passar despercebidos com um controle manual.

Para todas essas vantagens, porém, penso que o BPM também é um desafio significativo para empresas de pequeno porte. Parte disso se deve ao "efeito gangorra". A tecnologia em si não é nova, mas não está totalmente amadurecida, e ainda não se popularizou. É verdade que já existem algumas ferramentas de baixo custo, que podem ser adotadas por pequenas empresas. Porém, existe uma barreira cultural difícil de ser quebrada. A resistência ao BPM está muitas vezes nos donos e diretores dessas empresas, acostumados a tomar decisões pessoais, que frequentemente fogem dos moldes do processo.

Acredito que no estágio atual, a maioria das empresas de pequeno e médio porte já poderia tirar grande proveito das ferramentas existentes, se não fosse pelas questões culturais. Isso representa uma grande oportunidade para aquelas empresas que conseguirem adotar essas ferramentas. Além dos ganhos diretos (em produtividade e qualidade do trabalho) terão ganhos indiretos significativos.

Um desses ganhos está na possibilidade de participar do mercado de negócios das grandes empresas. Hoje, empresas de grande porte já impõem condições bem restritivas para contratação de serviços, exigindo certificações como ISO 9000 e outras do tipo. Em breve, a integração dos negócios exigirá a disponibilização de interfaces entre os sistemas de BPM, para que os processos de duas empresas possam ser integrados de forma controlada. Quem estiver pronto poderá se beneficiar dessa nova onda, ganhando novos negócios.

Tags: bpm, mercado, web2.0

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Carlos Ribeiro Comentário por Carlos Ribeiro em 22 outubro 2008 às 23:11
Edmar, depende primeiro de definir o que é "pequena empresa". A gente chama de pequena empresa aquela que só tem duas ou três pessoas. Oficialmente, isso é "micro empresa" (se tanto!). Os critérios para pequena empresa podem parecer surpreendentemente grandes. Por exemplo, uma empresa com faturamento de 10 milhões de reais por ano é para a maioria das classificações considerada pequena. Médias, então...

Estabelecido o critério, sabemos que o segmento de PME hoje no Brasil ainda está numa fase inicial da adoção de TI. Tem muito "ERP" por aí que nada mais é do que um pacotinho de programas incluindo financeiro, contabilidade e estoque. E só. É pouco, mas o pessoal chama de "ERP" e vende. Mas acho que você se surpreenderia pela quantidade de empresas pequenas, incluindo algumas "muito" pequenas, com interesse em ERP.

O BI já é outra história. A implantação do BI só é viável depois de um longo tempo de amadurecimento do ERP. Isso porque o BI depende de massa histórica de dados. Um ano de ERP mal dá para o começo. São necessários pelo menos dois ou três anos de dados para construir uma análise consistente.

Agora, voltando ao ponto original do post: eu acredito pessoalmente que será mais fácil para uma empresa pequena, ou mesmo micro, adotar primeiro um sistema de BPM (mesmo que seja simplificado) do que um ERP. O ERP favorece a gestão dos resultados; o BPM pode trazer ganhos imediatos de produtividade ao melhorar os processos. Além disso acredito que o BPM se tornará uma condição necessária para o estabelecimento de parcerias com empresas de maior porte. O controle dos SLAs, por exemplo, pode ser feito via BPM. Essa é a idéia básica do artigo.
Edmar Comentário por Edmar em 22 outubro 2008 às 19:55
Sim, entendi.

Sinceramente tudo isso me parece distante da realidade das pequenas empresas que em muitos casos não tem nem ERP nem BI...

Alguém ai tem estatísticas sobre o crescimento da utilização destas tecnologias por parte de pequenas e médias empresas?

Alguém ai conhece alguma empresa que já atue neste setor porem focando em pequenas empresas? Por exemplo, programas de BI voltados para pequenas empresas.
Yuri Gitahy Comentário por Yuri Gitahy em 22 outubro 2008 às 12:32
Concorrentes específicos e outros setores podem compor outras bases de referência do BI. Você pode ter todos seus KPIs importantes replicados em outros cenários (alvo, realista, pessimista, otimista) e compará-los a benchmarks que vêm de concorrentes e outros setores. Por exemplo:
- qual a margem per-capta de lucro no nosso setor? E a nossa? E dos nossos concorrentes?
- queremos ampliar nosso mercado também para setor X. Qual o percentual de P&D médio desse setor? Precisamos orçar mais P&D no plano estratégico?

Entendeu a idéia?
Edmar Comentário por Edmar em 22 outubro 2008 às 11:44
Onde eu "compro" isso ai que você tá falando.........rsrss

Meu interesse é entender o seguinte : Gostei da divisão de ERP e de BPM feita pelo Carlos.

O Yuri disse:

“Deu pra entender como o BI do passado é muito diferente do BI do futuro? Porque esse "novo BI" depende que as empresas deixem de tratar suas áreas como ilhas de informação, e passe a integrá-las em uma visão estratégica de processos. Por isso, ele ainda está longe da realidade das empresas.”


Ai eu fico na dúvida e os dados dos Concorrentes ? Se possuir um BPM sólido ajuda integrar negócios, e o BI ajuda a realizar essa visão estratégica de processos, como fica a analise do “resto” do mercado não apenas meus concorrentes diretos mas de outras coisas que estão fora das minhas muralhas e dos meus parceiros.
Yuri Gitahy Comentário por Yuri Gitahy em 21 outubro 2008 às 22:39
Onde eu disse "do lado à direita", era pra ser "em cima e à direita" :)
Yuri Gitahy Comentário por Yuri Gitahy em 21 outubro 2008 às 22:39
Pra mim BI está do lado à direita disso tudo :) Antigamente, BI era sinônimo de insights como "veja só, nossas vendas foram 20% superiores ao mesmo período dos anos passados" ou "acabamos de descobrir que preço e geografia influenciam mais no nosso lucro do que o cliente ser ou não inadimplente". As fontes dos dados de BI eram normalmente bancos de dados espalhados na empresa (information silos ou o quê?).

Nas empresas inteligentes, Business Inteligence :) é uma forma de consolidar indicadores das áreas e derivar indicadores estratégicos. A empresa define KPIs, metas para esses KPIs e decide diversas coisas - bonificações, correções na estratégia, priorização de investimentos - em cima de dados que o BI gera. Dessa vez, o BI busca dados bem mais estruturados vindos do ERP e do próprio BPM.

A ferramenta de BPM para gerar KPIs pode ser o BAM - Business Activity Monitoring. Ele faz logging das transições de estados de processos, custos, tempos, número de pendências, entre outras coisas. Assim, com o BAM é possível saber quase em tempo real se metas de performance são atingidas. Esses números são consolidados para gerar KPIs históricas - ou seja, quanto mais a empresa utiliza BPM, menor o custo de gerar essas métricas.

Deu pra entender como o BI do passado é muito diferente do BI do futuro? Porque esse "novo BI" depende que as empresas deixem de tratar suas áreas como ilhas de informação, e passe a integrá-las em uma visão estratégica de processos. Por isso, ele ainda está longe da realidade das empresas.

Estou com medo - isso está quase virando blá-blá de comercial.
Carlos Ribeiro Comentário por Carlos Ribeiro em 21 outubro 2008 às 21:55
Minha experiência com BI é limitada, então minha resposta pode não ser tão bem fundamentada quanto acredito ser em outros assuntos (ERP e BPM). Acredito que o BI seja uma forma de realizar análises e obter novos conhecimentos a partir dos dados processados pelos sistemas de gestão: ERP, CRM, etc.; portanto, o BI está muito mais ligado ao ERP do que ao BPM.

O BPM está mais ligado à dinâmica do dia a dia da empresa, ao funcionamento de seus processos. É claro que as métricas de BPM podem ser analisadas pelo BI, mas o impacto mais forte do BPM tende a ser indireto. O BPM adiciona uma nova dimensão ao ERP, ao permitir não somente a gestão dos fins (resultados), mas dos meios (processos).
Edmar Comentário por Edmar em 21 outubro 2008 às 21:49
Oi, pessoal

O Carlos disse :

- ERP: gestão interna, apresentar resultados para a diretoria.
- BPM: gestão interna e externa, apresentar resultados e métricas para parceiros de negócios, clientes, fornecedores, etc.

Onde entra o BI nessa estória ? Faz parte do ERP ou do BPM, afinal no caso de BI as fronteira interna e externa é bem fina.
Carlos Ribeiro Comentário por Carlos Ribeiro em 21 outubro 2008 às 18:00
Discussão boa é assim... agora vamos por partes!

- Sobre as ferramentas, entendi mais ou menos, você meio que conta o milagre mas não conta o santo. Fico tentando adivinhar...
- O timeline do Yuri é muito interessante, cai bem dentro da idéia da "gangorra". Agora, acho que a necessidade de BPM vem junto com o ERP. A idéia é que um ERP moderno precisa do BPM para interfacear com outros sistemas. Dá pra explorar mais essa idéia, acho que cabe em outro post. Para adiantar alguma coisa... penso que empresas pequenas só poderão participar do "ecosistema" de outras empresas maiores se tiverem processos bem mapeados, e aí o BPM é essencial,

Em outras palavras:

- ERP: gestão interna, apresentar resultados para a diretoria.
- BPM: gestão interna e externa, apresentar resultados e métricas para parceiros de negócios, clientes, fornecedores, etc.

Ok?
Diego Gomes Comentário por Diego Gomes em 21 outubro 2008 às 17:36
falando em ERP, você conhecem isso aqui?
http://openerp.com/
Vou dar uma olhada nos cases da Cryo e volto a postar!

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