Os últimos anos foram bem ricos para os proponentes do código aberto. Após anos batalhando para ganhar reconhecimento pela sua qualidade e pela seriedade dos projetos, chegamos a um cenário radicalmente diferente. Isso é visível porque os modelos de negócio estão sendo modificados, tudo em consequência da aceitação pelo mercado de que os sistemas baseadas em código livre são em muitos casos melhores, ou pelo menos equivalentes, aos sistemas tradicionais. Mas essa é apenas a primeira parte de uma longa guerra, na qual o código aberto ganhou apenas uma batalha.
É importante reconhecer que a situação como um todo mudou. Primeiramente, existe a divisão entre código "livre" e código "aberto". Não é exatamente a mesma coisa. Hoje, o mercado aceita bem o conceito do código "aberto", que pode ou não ser "livre". Isso é fruto de uma
postura pragmática das empresas de código aberto. Existem modelos de negócio viáveis para as empresas dispostas a apostar em um licenciamento duplo (com opção de licença aberta ou de licença comercial).
Dentro desse cenário, as mudanças que estamos vivendo são profundas e estão só começando. Segundo o Gartner, em diversos segmentos as ferramentas abertas são uma escolha superior às ferramentas proprietárias - mesmo para algumas aplicações de missão crítica (caso do Linux, nos dias de hoje, e do MySQL em até dois anos). Dentro da mesma linha, o Gartner também indica que o modelo de licenciamento de software atual será totalmente alterado nos próximos anos. Não faz mais sentido pagar os valores cobrados pelo mercado, pois existem alternativas. Além disso, a virtualização muda completamente o conceito da licença, e já está afetando decisões de negócio importantes.
A única das grandes empresas de software que se mantém avessa ao conceito é a Microsoft. Parece ser uma resistência mais ideológica do que prática, pois ela tenta combater essa tendência com as ferramentas de que dispõe - basicamente, termos de licença e política comercial. As ferramentas de virtualização são um dos focos, com licenciamento agressivo, mas ainda com muitas "pegadinhas" que limitam a liberdade de uso para funções como mover VMs, reaproveitar licenças, etc. Em outra frente, foi anunciado um programa de
licenciamento gratuito dos aplicativos da família Dynamics para "startups". Os termos ainda são bem seletivos - faturamento mínimo de US$ 1 milhão por ano! - o que indica que a lição ainda não parece ter sido 100% aprendida. A se manter nessa linha, o isolamento da Microsoft tende a aumentar, e isso eventualmente terá um preço para a empresa - não interessa o quão grande ela seja.
As mudanças estão acontecendo, mas a guerra não acabou. Ainda há muito que discutir na fronteira entre o código aberto e seu primo mais forte, o
código livre (conforme defendido pelo Richard Stallman). Também há questões importantes no uso de código aberto em provedores de serviços estilo "SaaS" ou "cloud". Muita coisa ainda deve acontecer, dentro de uma evolução constante, que deve muito à comunidade mundial de software livre/aberto.
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